
Escrito por Dan às 21h23
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Sentido
Mulheres loucas e bem-comportadas;
Meninos-anjos e demoníacos;
Homens poderosos e oprimidos;
Meninas malvadas e fragilizadas;
Velhas católicas e dissimuladas;
Vilãs vítimas e mocinhas algozes;
O moralismo na subversão. O pessimismo no cinismo. O fim da tragédia. O humor como dissimulação. O drama como a alegria.
Escrito por Dan às 21h18
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O tempo passa. Rápido, 18, 19, 20, 21. Faculdade, desejo, necessidade. Sonho. Promessa. Fazer, ontem, amanhã. Os mesmos pesos e medidas. Tudo ontem. 21, ontem. 20, ontem. 19, ontem, 18, ontem. Tudo é ontem. Será ontem.
Até ontem.
PS: e há quem reclame dos dias de hoje.
Escrito por Dan às 21h10
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Freud Explica...
Freud estava certo. O homem não deveria viver mais que cinco anos. Tal como o animal de que se originou - animal misterioso, que durava apenas cinco anos e era feliz durante toda a vida. Isso porque não precisava se sociabilizar, não era reprimido, não ia contra a sua própria natureza, não a sufocava. Era o que era. E ponto.
Mas nós insistimos em ser o contrário. Em fazer parte do mundo. Em crescer, sermos nobres, civilizados, bem-sucedidos. E ingênuos. Porque o nosso animal de origem persiste, mesmo oprimido, é mais forte. É perverso. Traiçoeiro. E nos força a destruir o outro, os laços que desenvolvemos com ele, matar, acabar com uma história.
Matamos uma história. Nós. Domados por nossos animais e influenciados pelas tragédias shakespearianas; pela afiada escuridão de Nelson Rodrigues; pelo exagero de “Desperate Housewives”; pela densa melancolia de “A Sete Palmos”. Animais reprimidos que fomos e somos, recalcamos e sublimamos nosso instinto através da ficção. Para sermos animais sem admiti-lo, tratamos a vida como uma comédia dramática. Engraçada até que e torna triste, obscura, trágica. Comovente para o público. Mas sem espectadores na vida real. Ninguém quer saber dos animais.
Ao final da história, resta o vazio, a tristeza, o desalento. O desespero, as perguntas. Como será daqui pra frente? Empatia com “A Sete Palmos”. Desvario com “Desperate Housewives”. Consolo nas palavras de “Hamlet”. Catarse em Nelson Rodrigues. E só. E nada irá mudar. Continuará o desespero. A realidade é percepção, mas não é ficção. A realidade é viva, a ficção ganha vida. Mas não oferece vida.
Por que não morri aos cinco anos?
Por que não morri aos cinco anos?
E não terão com quem falar a respeito. A espiral do silêncio. Os dois solitários, cada vez mais. Assim é. Se ao menos houvesse um reencontro. Corridas, abraços, pedidos, lágrimas. Mas não haverá. A ficção é egoísta. Não empresta nada à vida. Só toma emprestado.
Escrito por Dan às 21h03
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A História Sem Fim
Ela estava cansada de procurar, procurar e não encontrar alguém para namorar, noivar, casar. Buscava o amor da sua vida aonde quer que fosse: na balada, na livraria, na padaria, na fila do banco, no elevador, atravessando a rua – até se encantou por um motorista que a deixou atravessar – e quase foi atropelada – pelo mesmo.
Uma vez, foi ao velório do primo da irmã de uma amiga da amiga e pensou “ah, se o defunto fosse vivo”. Mas estava morto. Assim como a sua esperança. Até que lhe disseram:
- Não adianta procurar! O amor vem!
Dito assim, ela resolveu mudar a tática do jogo:
- Time que está perdendo se mexe!
Sentou-se, linda e delicada, na cadeira do século XIX. Os cabelos presos a uma fita rosa-romance-água-com-açúcar e um braço apoiado na janela. O olhar fingia distração e esperava que uma Mercedes preta estacionasse em frente ao seu prédio e dela saísse um belo homem que declararia, cheio de poesia, todo o seu amor e subiria, pela escada, dezenove andares. Tudo isso para encontrá-la. E eles se beijariam, se casariam e viveriam felizes para sempre.
O tempo passou e isso não aconteceu. Resolveu sair de casa. encontrou os amigos, colegas e conhecidos. Todos estavam sentindo muito a sua falta. Ela explicou o porquê do sumiço. E suspirou a nova desilusão. Até que lhe disseram:
- Não adianta ficar parada! O amor não aparece assim, do nada, na sua janela!
FIM – não há outra alternativa!
- A flecha do cupido!
Uma história sem fim.
Escrito por Dan às 06h26
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