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DanThomaz


'CAUSE EVERYBODY'S LIVING IN A MATERIAL WORLD...



Escrito por Dan às 13h18
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Um brasileiro revoltado com as novas regras da língua portuguesa:

 

- Ah, meu, você passa quarenta ano estudano as bagaça, os cara vem e muda tudo!

 

As novas regras ainda não entraram de fato em vigor. Já as velhas...



Escrito por Dan às 18h44
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A Bela e a Fera

 

Sem estabelecer qualquer diálogo com o filme “Morte em Veneza”, adaptação do livro homônimo de Thomas Mann, dirigida por Luchino Visconti, resolvi ler. Meio preocupado com alguns escritos, olhei para a “Carta ao Pai” do Kafka” e não. Naquela hora, não. Preocupado com tons e linguagens e palavras e parágrafos, precisava de alguém que escrevesse bem, de fato, em português ou em inglês. Não queria traduções. Olhei para a minha desfalcada prateleira de livros, em inglês não havia nada; em português, Nelson Rodrigues, Machado de Assis e muita Clarice Lispector. Fui a ela. Com ressalvas.

         Escolhi “A Bela e a Fera”, uma coletânea de contos dividida em duas partes: a primeira, com contos de 1940 e 1941, os primeiros escritos por Clarice; a segunda, com contos do ano de 1977, ano da morte da autora, os últimos escritos por ela. Decidi por esse livro porque nele há um dos meus contos preferidos da autora, “A Bela e a Fera ou A Ferida Grande Demais”. Mas fui ler com ressalvas. E por quê?

         No início de agosto, indo para a faculdade, sem nenhum livro novo em mãos, peguei “A Bela e a Fera” e escolhi algo inédito para ler: “Um Dia a Menos”, o penúltimo conto do livro e da autora. Apesar de nele ainda constarem os elementos da prosa de Clarice que sempre me encantaram e me instigaram – parágrafos entre cortados; vozes narrativas que se confundem; frases de efeito que desmontam toda a narrativa e a personagem, dentre outras coisas – algo não aconteceu. Algo não me perturbou. Algo não me desmontou. Algo não me quebrou.

         Como assim, Clarice Lispector não fez nada disso comigo? Será que ela não é tão boa quanto eu imaginava? Será que eu só a achava genial porque, há pouco tempo, era um adolescente sem grande repertório literário? Será que o que ela tinha pra me dizer já se esgotou? Ela não é nada daquilo? Ou eu não sou mais nada daquilo?

         Abri o livro com certa tensão. Apavorado. Com muito medo de que, novamente, não fosse estabelecido um diálogo, eu não me instigasse, não quebrasse a cabeça, não desmontasse, não estilhaçasse.

         Mas isso não aconteceu. Ainda que a minha cabeça não tenha tremido e quase explodido, mesmo porque, hoje, tenho um material que me leva a melhor compreender a autora, o que não acontecia na minha adolescência, quando a minha leitura dela era sensorial, eu me incomodei. Meu fígado se movimentou. Formou-se um bolo. As vozes da narradora e da personagem se confundiram no conto; os parágrafos se quebraram; os diálogos se confundiram; a personagem saiu do sono automático; um bolo formou-se nela. E em mim.

         Respirei aliviado. Clarice ainda vale a pena. Clarice ainda pode. Clarice não mudou. Eu mudei. Mas continuo precisando dela. E muito. E sempre.



Escrito por Dan às 18h22
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DANUZA LEÃO

 

Copacabana Querida

 

APESAR DE morar em Ipanema, minha rua é sossegada; moro num andar baixo, e às vezes ouço passar um caminhão oferecendo frutas e até um amolador de facas, fazendo aquele barulho de antigamente.
Sábado passado, duas da tarde, ouvi alguém andando e cantando, bem alto: "Se você pretende, saber quem eu sou, eu posso lhe dizer" -lembra? Fiquei feliz, feliz, e emendei o canto: "Entre no meu carro, e na estrada de Santos, você vai me conhecer". Há quanto tempo eu não cantava, meu Deus.
Tinha combinado de almoçar com um amigo num restaurante que ele havia descoberto e adorado, em Copacabana. Para quem não sabe, é preciso explicar que Copacabana é um país, Ipanema outro, Leblon outro. Nos dois últimos estão os restaurantes sofisticados, onde vão as celebridades ou aspirantes a. Já Copacabana é hoje um bairro meio decadente, onde os chiquérrimos não moram mais, a não ser diante do mar. Os moradores costumam ser de uma classe média sem muito dinheiro, e os mais jovens não costumam freqüentar, porque Copacabana saiu de moda. Continuemos.
Quando chegamos, vi que lá no fundo havia um cantor negro tocando violão e cantando. Mas como ficou combinado que música ao vivo é brega, franzi a cara e disse "ai, música ao vivo na hora do almoço, socorro". Meu amigo me disse para ter calma, que ele cantava discretamente e que não iria incomodar. Entreguei a alma a Deus e pedi uma caipirinha enquanto o almoço não chegava.

O cantor era mesmo muito discreto; andava pelo restaurante devagar, cantava mansinho, até que chegou a uma certa distância da nossa mesa, nem muito longe nem muito perto, mas o suficiente para que se ouvisse o que ele estava cantando. O repertório era maravilhoso, daqueles bem das antigas; tinha as mais lindas e hoje em dia quase esquecidas músicas de Dolores Duran, Lupicínio Rodrigues, Noel Rosa, e até Roberto Carlos. Tudo, enfim, que é out e que só os que já passaram dos 40 conhecem. Ok, 50.

Ele cantava bem, e de repente me surpreendi cantando junto -baixinho, é claro. Acompanhei "A deusa da minha rua tem os olhos onde a lua costuma se embriagar", um sambinha, "Se você não me queria não devia me procurar, não devia me iludir nem deixar eu me apaixonar", passando por "Eu sou a outra", que eu não sabia muito bem a letra mas fui lembrando de alguns trechos.

E "Amanhã de manhã vou pedir o café da manhã, te fazer um carinho e depois te envolver nos meus braços" -ah, quantas lembranças. Quando olhei, quase todos no restaurante estavam cantarolando, e alguns se aventuraram até a fazer um batuquezinho na mesa. Foi uma viagem maravilhosa, uma volta no tempo; o cantor atendia aos pedidos de músicas antigas -e ele conhecia todas- com um lindo sorriso, e o almoço se prolongou durante horas.

Para mim Copacabana, hoje tão esquecida e desprezada, voltou a seus tempos de glória, e cheguei em casa ainda emocionada.
Mas emoções têm seu preço; a volta dessa viagem foi melancólica, e nem preciso dizer por quê. Mas eu vou voltar lá.



Escrito por Dan às 04h48
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A "Bienal do Vazio"; o "Blog do Silêncio".

 

Ano: 2008.



Escrito por Dan às 04h40
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Eu Te Proponho, Nós Nos Amarmos...



Escrito por Dan às 18h21
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Bovarysmo

 

Por que a vida tem de ser real?

E o outro medíocre?

Há esperança?

Há solução?

 

Arsênico!



Escrito por Dan às 21h38
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Filma Eu!

 

Por questões puramente acadêmicas, fui obrigado a assistir ao “Programa Raul Gil”, dentre outros exibidos pela Band.

O programa é a exata representação do universo da sociedade de massa: um apresentador impondo-se como o dono da verdade e repetindo os clichês que interessam a ela e à sua emissora; uma platéia composta por pessoas burras, vibrando em coro aquilo que lhes é ordenado; músicos de péssima qualidade – e enorme sucesso – e pessoas querendo ser famosas – sem ter talento, pelo menos talento lapidado, para isso.

O mais impressionante, porém, foi o quadro “Eu e As Crianças”, onde meninos e meninas muito pequenos vão cantar, dançar e se portar como adultas – e idiotas.

Para a composição desse quadro, a ordem do cenário é mudada e, no lugar de moças entre 18 e 25 anos, de roupas curtas, dançando sem coreografia, são colocadas garotas de 7 à 11 anos, vestidas da mesma forma e dançando da mesma maneira – ou seja, meninas vestidas como mulheres-objeto, com roupas coladas ao corpo, barriga de fora, pernas cruzadas e mãos na cintura – com muita naturalidade e arrogância, como se elas tivessem mais sorte e fossem melhores do que as meninas que estão em casa, brincando com bonecas.

Mas o pior não é isso. É imaginar o universo familiar e social dessas meninas: os pais orgulhosos por elas dançarem na TV – e ansiosos pelo cachê que elas receberão; os vizinhos agrupados numa mesma casa, bebendo cerveja e comendo amendoim, para vê-la dançar; as avós mostrando a fita do programa às amigas da igreja. Tudo muito cínico e muito estúpido. Ao invés de ensinarem a essas meninas a importância da cultura, do conhecimento e da saúde e valor do próprio corpo, não, esses pais, avós e vizinhos, as reduzem a bibelôs e as ensinam a incorporar essa imagem, de corpo-objeto, como o ideal de felicidade e sucesso.

Claro que a mídia tem enorme influência nisso. O fato do próprio Raul Gil, que se auto-denomina avô de seus calouros, aceitar uma cena como essa em seu programa demonstra o seu enorme descaso com a sociedade. Sem falar nos programas que se dedicam a enaltecer as frutas e peças de carne do funk, como protótipos de sucesso e beleza femininas, e a exaltar tudo o que outras mulheres (famosas, claro) conseguiram por meio da beleza.

E aí, surge um pedófilo. E ele persuade e se aproveita das crianças. E filma tudo. E põe na internet. E quando isso vem a público, ele é o único criminoso. E os pais... pobres pais.

Pobres crianças. Sim, pobres crianças.



Escrito por Dan às 21h15
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Ordem na Casa

 

O irônico é, antes de tudo, um organizado. Pode-se chamá-lo até mesmo de maníaco. O mais leve desvio geométrico na posição do vaso é demais para ele. Em sua obsessão, com seu olhar clínico, o colocará na posição certa, aquela que o deixe em consonância com os outros móveis e objetos. Para alguns, isso pode parecer loucura. Mas não. Com o perdão dos desorganizados, ele só o faz para tornar o ambiente mais agradável.



Escrito por Dan às 17h58
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A Última Fração do Milésimo Segundo de Informação

A internet está parando. Os sites, blogs, portais não são mais atualizados como antes. Alguns deles ficam horas ou, no caso dos blogs, dias, semanas, com as mesmas notícias e textos. A internet está parando? Ou o segundo de informação tornou-se lento? Ou a vida real tornou-se mais rápida que a internet e tudo o que eu disse não passa de um erro, um grave erro, de percepção?

 



Escrito por Dan às 13h05
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Crônica da Molecada Assassinada

Numa escola de quinta à oitava série, havia uma garota de 12 anos com um shortinho menor que a calcinha; outra descrevendo o “tanquinho” de um colega de 14 anos (um tesão, segundo ela); quatro ou cinco moleques imobilizando um garoto - fingindo ser bandidos; uma de 13 com os peitos pulando pra fora, mandando um menino “pro caralho” e o policial, em frente à escola, olhando as meninas. Ele queria cuidar delas. Sozinho, de preferência.

Só estranhei uma coisa. Ninguém estava dançando o “créu”. Não tem som naquela escola?

 



Escrito por Dan às 13h01
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Escrito por Dan às 21h23
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Sentido

Mulheres loucas e bem-comportadas;

Meninos-anjos e demoníacos;

Homens poderosos e oprimidos;

Meninas malvadas e fragilizadas;

Velhas católicas e dissimuladas;

Vilãs vítimas e mocinhas algozes;

 

O moralismo na subversão. O pessimismo no cinismo. O fim da tragédia. O humor como dissimulação. O drama como a alegria.



Escrito por Dan às 21h18
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O tempo passa. Rápido, 18, 19, 20, 21. Faculdade, desejo, necessidade. Sonho. Promessa. Fazer, ontem, amanhã. Os mesmos pesos e medidas. Tudo ontem. 21, ontem. 20, ontem. 19, ontem, 18, ontem. Tudo é ontem. Será ontem.

Até ontem.

 

PS: e há quem reclame dos dias de hoje.



Escrito por Dan às 21h10
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Freud Explica...

Freud estava certo. O homem não deveria viver mais que cinco anos. Tal como o animal de que se originou - animal misterioso, que durava apenas cinco anos e era feliz durante toda a vida. Isso porque não precisava se sociabilizar, não era reprimido, não ia contra a sua própria natureza, não a sufocava. Era o que era. E ponto.

Mas nós insistimos em ser o contrário. Em fazer parte do mundo. Em crescer, sermos nobres, civilizados, bem-sucedidos. E ingênuos. Porque o nosso animal de origem persiste, mesmo oprimido, é mais forte. É perverso. Traiçoeiro. E nos força a destruir o outro, os laços que desenvolvemos com ele, matar, acabar com uma história.

Matamos uma história. Nós. Domados por nossos animais e influenciados pelas tragédias shakespearianas; pela afiada escuridão de Nelson Rodrigues; pelo exagero de “Desperate Housewives”; pela densa melancolia de “A Sete Palmos”. Animais reprimidos que fomos e somos, recalcamos e sublimamos nosso instinto através da ficção. Para sermos animais sem admiti-lo, tratamos a vida como uma comédia dramática. Engraçada até que e torna triste, obscura, trágica. Comovente para o público. Mas sem espectadores na vida real. Ninguém quer saber dos animais.

Ao final da história, resta o vazio, a tristeza, o desalento. O desespero, as perguntas. Como será daqui pra frente? Empatia com “A Sete Palmos”. Desvario com “Desperate Housewives”. Consolo nas palavras de “Hamlet”. Catarse em Nelson Rodrigues. E só. E nada irá mudar. Continuará o desespero. A realidade é percepção, mas não é ficção. A realidade é viva, a ficção ganha vida. Mas não oferece vida.

 

Por que não morri aos cinco anos?

Por que não morri aos cinco anos?

 

E não terão com quem falar a respeito. A espiral do silêncio. Os dois solitários, cada vez mais. Assim é. Se ao menos houvesse um reencontro. Corridas, abraços, pedidos, lágrimas. Mas não haverá. A ficção é egoísta. Não empresta nada à vida. Só toma emprestado.



Escrito por Dan às 21h03
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